março 23, 2021

O SUS está cumprindo com seu objetivo no Brasil?

Por premioagriculturafamiliar

Como realização, pode-se adicionar a descentralização do sistema de saúde, em que os estados e os municípios podem planejar suas ações de forma diferente nos territórios. Assim, o uso de recursos para as ações locais na atenção primária pode facilitar a redução de despesas com especialidades sem necessidade.

No entanto, o sus tem alguns grandes desafios a superar. Apresento aqui três deles…

O primeiro é a organização econômica, tanto federal como local, e o seu financiamento, para que a “universalidade”proposta seja realmente atingida. Por recursos escassos e como são gastos esses recursos, o Sistema não dá bastem para atender a todas as pessoas que se propõe da maneira que eles precisam. Uma vez dentro do sistema, as pessoas dizem que a qualidade do atendimento e dos procedimentos é muito boa. Mas, por problemas de financiamento, muitos usuários demoram para ter o acesso e essa é sua maior crítica. Há que ter mais recursos humanos e materiais, desde a atenção primária até a terciária.

O segundo, a própria força da descentralização. Embora seja uma proposta evolutiva para a construção de uma política democrática, é necessário que o sistema esteja organizado em redes bem estruturadas, que chamamos de RAS (Rede de Atenção à Saúde). Para que o sistema funcione como se propõe, essas redes podem fortalecer a priorização da atenção primária e, a partir dele, tente as atenções, secundárias e terciárias de forma integrada. As redes podem ajudar a superar a fragmentação atual do sistema. As demandas de saúde surgem muito rapidamente, hoje em dia, e com o sistema fragmentado pouco se pode fazer com qualidade e rapidez.

E, por último, conviver com o modelo privado “hospitalocéntrico”, que busca o lucro com a saúde de seus “clientes” e acabou por desmoralizar o sus e seus avanços, além de reforçar as dificuldades na saúde individual e especializado, em contraposição à saúde coletiva.