março 23, 2021

Como reduzir a pobreza no Brasil? Novo portal analisa se medidas são efetivas

Por premioagriculturafamiliar

Se há algo que o Brasil faz bem é globalizar. Fez do futebol e novelas fenômenos globais, tornando-se a marca brasil em uma marca mundial. Agora é a vez de seu modelo de redução da pobreza.

O Brasil está convencido de que a eliminação deste teimoso flagelo social, tanto em casa como no mundo, será mais eficaz se o esforço é realmente colaborativo.

Como parte desta filosofia, o gigante sul-americano foi criado o primeiro centro mundial de redução da pobreza chamado Mundo Sem Pobreza que será, efetivamente, um mercado de ideias e experiências na aplicação de programas a favor dos que menos têm.

O ponto de partida e inspiração é o programa brasileiro de maior sucesso de todos os tempos: o Bolsa Família, que em uma década de operação conseguiu reduzir para metade a pobreza do Brasil (de 9,7% para 4,3%), graças ao seu vasto alcance e a cobertura -cerca de 50 milhões de brasileiros de baixa renda, ou a quarta parte da população.

A diferença de subsídios e outros programas sociais gerais, o Bolsa Família é parte das chamadas transferências condicionadas de dinheiro, por que os pais de família recebem uma quantia fixa todo mês (neste caso, R$70, cerca de 30 dólares) em troca de que enviem seus filhos à escola e cumpram com diversos controles de saúde.

Apesar de que na última década 1.7 milhões de beneficiários-se “formaram”, isto é, que deixaram o programa, os críticos advertem que muitos podem cair em uma relação de dependência com este método. Dizem que o Bolsa Família é importante para combater a fome e fortalecer o empoderamento social, mas que seu grande desafio é o de proporcionar oportunidades de trabalho e serviços básicos para essa população. O que é exatamente o foco do ambicioso plano antipobreza do Governo, o Brasil Sem Miséria, que promete eliminar essa situação de carência extrema para milhões de brasileiros.

Além do debate, o sucesso desta iniciativa que foi lançada no Brasil em 2003, transformou o país em um “exportador de como fazer política social”, de acordo com os observadores. Em 2013, 120 delegações visitaram o Brasil para aprender sobre o Bolsa Família e o chamado Cadastro Único, que identifica e contabilizou os mais pobres do país.

A pobreza é, na verdade, de um problema global. Cerca de 1.000 milhões de pessoas, ou 15% da população mundial sobrevivem com menos de 1,25 dólares por dia.

“Estamos muito interessados no cadastro único, acreditamos que é um dos instrumentos mais importantes para construir sistemas de protecção social eficazes”, afirmou a ministra da Solidariedade Social, Djibouti, Zahra Youssouf Kayad, durante o lançamento de um Mundo Sem Pobreza, esta semana, no Rio de Janeiro, como parte de um fórum de aprendizagem sul-sul. O evento contou com a presença de mais de 200 cumpridores de política pública e ministros de 70 países, além de especialistas de organismos internacionais.

Sistema anti-pobreza

Os especialistas em redução de pobreza estarão conectados globalmente através de uma plataforma on-line, em três idiomas, que servirá para destacar as iniciativas mais importantes neste terreno. Também permitirá o intercâmbio de idéias e conhecimentos, em tempo real, entre os encarregados de formular e implementar programas sociais em todo o mundo.

A ferramenta virtual de Mundo Sem Pobreza será, por sua vez, um vasto repositório de informações e ponto de encontro com o público, que poderá participar desta grande “conversa” sobre um dos problemas mais difíceis do século XXI.

“Eu acho que é uma oportunidade para acelerar e expandir as lições da aplicação de política social no Brasil”, disse a economista Deborah Wetzel, Diretora do Banco Mundial no Brasil.

As instituições que apoiam este portal são o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Banco Mundial.